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A Vovó Moderna

Só depois que tive minha filha parei para pensar com maior profundidade no papel da avó no desenvolvimento de nossos filhos. Sempre tive à mente uma imagem ideológica de avó, talvez por ter tido duas assim, vovós velhinhas, acolhedoras, dispostas, que sempre tinham um biscoito, pão ou bolo feito por elas nos esperando no café da tarde. Uma eu perdi cedo a outra sempre foi muito presente. A pé ia até nossa casa para preparar canjica ou seus deliciosos bolinhos de chuva. Hoje em dia o mundo mudou. Algumas avós não são tão velhinhas e estão ainda envolvidas em suas carreiras e afazeres. A família deixou de ser uma premissa e os netos uma prioridade. Uma grande pena isso. As duas vovós da minha filha se engalfinharam em suas vidas de forma a não conseguirem sair delas. Mas preciso dizer que os papéis para nós aqui em casa sempre serão respeitados. Estaremos juntos para o que der e vier e um dia quem vai cozinhar bolinhos e contar histórias vou ser eu.

Quem viveu/nasceu na década de 80 ouviu falar do filme O Ataque dos Tomates Assassinos. O filme é uma sátira, nele tomates, sim tomates, tentam dominar o mundo. Durante os três primeiros meses da gestação fugi dos tomates assim como as infames personagens do filme. Da mesma forma que desenvolvi uma adoração por abacaxi o oposto aconteceu com tomates e molhos. Ia ao mercado e escolhia alguns de olhos fechados. Passar pela gôndola de molhos era um martírio. Tudo relacionado ao tema aqui me dava enjoos. Depois do terceiro mês a aversão passou e o tomate deixou de ser um bicho papão.

Quem começa a ler esse post pode imaginar que o título tem a ver com resolver problemas, mas por mais que pareça ele faz jus à situação ao pé da letra: durante a gestação me tornei uma descascadora de abacaxis! Algumas mulheres relatam desejos exóticos durante a gravidez, mas o meu foi bem simples: abacaxis. Me tornei por nove meses uma comedora insaciável de frutas de todos os tipos, mas o abacaxi não podia faltar, era quase um por dia. A única questão é a seguinte, quem já descascou um abacaxi sabe o trabalhinho que dá. Eu me tornei uma profissional na arte do descascar. Uma conhecedora da “fruta”. Já sabia qual era o mais doce, o mais maduro, o mais saboroso, como tirar a coroa, como descascar mais rápido (aja facão) e como guardar. Talvez tenha sido por me alimentar dessa forma (comendo muitas frutas) que meu organismo funcionou melhor do que antes. Meu cabelo e pele ficaram bonitos, e foi assim que eu contrariei uma das premissas do manual da grávida que é a de que a pele, cabelo e organismo (vide intestino) passam a não funcionar bem.

Gente, lembro que o primeiro inverno da minha filha me deixou um pouco aflita. Como vesti-la para dormir? Ligar ou não o aquecedor? Encher de roupas, de cobertas ou nenhum dos dois? Bom, vou falar um pouquinho da minha experiência com o frio. Sabe aquela música “moro num país tropical abençoado por Deus”? Bem as coisas não são bem assim. Aqui no Brasil a gente enfrenta o frio no peito e ultimamente no inverno as temperaturas tem sido relativamente baixas para quem mora no sul e sudeste. Depois de muito pesquisar e observar eu adotei os seguintes procedimentos: Em casa: eu vestia minha filha com meia, body de manga cumprida e macacão de inverno com pezinho. Eventualmente colocava uma touca (escolha uma que não fique larga para ela não cair sobre o rosto do bebê) e luvas. Eu ligava um aquecedor tomando o imenso cuidado de deixá-lo longe dela para não aquecê-la demais e provocar assim alterações bruscas de temperatura. Para dormir eu usava a mesma quantidade de roupa, com luva e touca e variava na quantidade de cobertas. Não deixava o aquecedor ligado durante a noite, o que eu fazia era ligar no quarto até deixá-lo quentinho e depois quando ela ia dormir eu desligava. Para sair: eu colocava meia, calça, luva, touca (para cobrir a orelhinha), body de inverno e sobretudo. Mas o importante é observar o bebê para que ele não soe com excesso de roupa, pois isso pode fazer mal para a saúde dele.

Os Dentes do Bebê

Quando os dentinhos da minha filha começaram a nascer eu procurei loucamente alguma informação sobre a ordem do nascimento dos benditos dentinhos. Achei essa imagem e sempre que preciso recorro a ela. Não gente, eu não dei pão congelado para ela morder, não passei pomada, não fiz massagem ou escovei a gengiva. Eu dei e dou mordedores e parece que está funcionando. No começo pela salivação excessiva um babador era necessário também, depois não foi mais preciso.

O Pediatra

O pediatra é um capítulo a parte na vida de um bebê/criança. É recomendável que você encontre um para seu filho ainda durante a gestação. Pergunte às amigas, à mãe, à sogra e depois vá conferir. No meu caso o pediatra que escolhi foi o meu, e isso quer dizer que ele é da época dessa foto. No hospital (quando você escolher ter seu bebê por lá) você conhece um que te dá algumas orientações básicas. No meu caso pensei que o meu iria me dar uma explicação bastante completa sobre tudo ou quase tudo. E apesar de ter feito uma listinha com perguntas e dúvidas preciso dizer que ele foi (e é) bem conciso. Quase monossilábico. Isso quer dizer, muitas das decisões são nossas, dos pais, o médico entra para fazer uma avaliação rotineira. Com o passar dos dias você vai aprender a conhecer seu bebê e solucionar sozinha algumas questões. Quando o pediatra receitar algum remédio, questione e avalie se é realmente imprescindível tal medicação. De qualquer forma nunca deixe de ler a bula e se achar necessário busca uma segunda opinião. Outra questão que me surpreendeu foi a de que imaginei que minha filha fosse receber as vacinas no consultório (como no meu tempo), mas para minha surpresa o pediatra orientou que eu buscasse um posto de saúde. O que é normal, mas para mim não funcionou (vou falar de vacinação mais para frente). Depois (de todas vacinas dadas em uma rede particular) ele mencionou que as vacinas dos postos mais comumente provocam pequenas reações como febre por exemplo e que as vacinas públicas contra o Rotavírus imunizam o bebê para alguns tipos e não todos. Outra questão é que é super importante que o pediatra dê para os pais um telefone de contato em caso de emergência. O meu demorou algumas consultas para liberar o celular, mas nada impede que você pergunte ao seu médico sobre o número dele para eventualidades. Vocês devem estar se perguntando por que continuei com esse pediatra. Bom, a meu ver ele é bastante metódico e não inventa procedimentos desnecessários, o que complicaria o que tem sido normal. Em suma você vai perceber que não existe um manual de instruções no qual você encontra tudo sobre bebês (não, os médicos não tem esse manual). O homem foi à lua, mas não sabe precisar muito sobre gestação e recém-nascidos. Não vai ser raro ao ler sobre concepção você encontrar um “?” bem grande onde a medicina não soube detalhar as causas ou razões para isso ou aquilo. Por isso a percepção de mãe é uma forte aliada em se tratando da saúde do bebê, você é imprescindível nessa empreitada, não deixe tudo à cargo do pediatra.

Quem tem um bebê já percebeu que para ele o mundo é uma grande descoberta. Dessa forma muitas vezes uma embalagem interessa mais que qualquer presente!  Minha filha adora brincar com rolos de papel higiênico. Para a  decepção dos parentes que sempre aparecem com alguma novidade cara e ruidosa e para a felicidade da mãe aqui que enxerga ai a beleza pura da natureza humana ainda em semente. “Ah ela não gosta de nada” – já ouvi essa asneira. “Ah ela gosta sim, só não gosta do que você quer que ela goste”. Ser mãe também é um grande exercício de paciência, vocês já devem ter notado. Todo mundo tem alguma opinião à respeito de tudo, da gestação à criação de nossos filhos.

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